“Ser Acomodado” X “Ter Resignação”

11 02 2014

A Doutrina Espírita nos revela que o plano espiritual está a todo instante buscando nos auxiliar para que possamos chegar ao nosso objetivo de vida previamente estabelecido antes mesmo de nascermos (encarnar).

Contudo ao nascer tudo é esquecido para que possamos superar erros, apagar receios, aprender com novas provas, expiações e resgates.

E quando falamos em resgates, estamos falando de sofrer o mal que praticamos ao próximo em vidas passadas, pois aqui se faz e aqui se paga – é a lei da causa e efeito.

O problema é que, equivocadamente,  podemos passar a ter atitudes comodistas e apáticas com situações difíceis em nossas vidas – e lamentamos dizendo – ” estou pagando por alguma coisa no passado” – deixando assim a situação sem nenhuma ação reparadora.

Diante da dor, da privação, do sofrimento não sabemos ainda se tal situação é um resgate ou algo que criamos pelo nosso livre arbítrio nessa vida, ou ainda uma prova para ser superada. E muitos acontecimentos negativos são justamente para que passamos a ter uma atitude pró ativa para nosso próprio bem evolutivo.

Essa interrogação deve nos motivar a todo custo buscar o melhor, fazer o máximo e aprender para evitar erros.

Uma coisa é ser acomodado, outra é ser resignado com o que realmente não se pode mudar.

A atitude comodista e apática é danosa para o espírito, não evolui, fica estacionado. E uma das piores situações para o indivíduo é ficar em cima do muro. Quando erramos, sofremos e aprendemos a lição; quando acertamos nos contentamos com o trabalho e sentimos nossa evolução – mas ficar estacionado é terrível.

Por isso, em nossa reforma íntima, um dos principais pontos é justamente o combate ao egoísmo e a preguiça que juntos formam o indivíduo comodista e apático.

Incrível ainda é ter uma situação que não se pode fazer realmente nada para mudar, mas mesmo assim o indivíduo toma coragem e transforma um resgate doloroso em uma missão de vida:

RESIGNAÇÃO E RESISTÊNCIA

De fato, há que se estudar a resignação para que a paciência não a venha trazer resultados contraproducentes.

Um lavrador suportará corajosamente aguaceiro e granizo na plantação, mas não se acomodará com gafanhoto e tiririca.

Habitualmente, falamos em tolerância como quem procura esconderijo à própria ociosidade. Se nos refestelamos em conforto e vantagens imediatas, no império da materialidade passageira, que nos importam desconforto e desvantagens para os outros?

Esquecemo-nos de que o incêndio vizinho é ameaça de fogo em nossa casa e, de imprevisto, irrompem chamas junto de nós, comprometendo-nos a segurança e fulminando-nos a ilusória tranqüilidade.

Todos necessitamos ajustar resignação no lugar certo.

Se a Lei nos apresenta um desastre inevitável, não é justo nos desmantelemos em gritaria e inconformação. É preciso decisão para tomar os remanescentes e reentretecê-los para o bem, no tear da vida.

Se as circunstâncias revelam a incursão do tifo, não é compreensível cruzar os braços e deixar campo livre aos bacilos.

Sempre aconselhável a revisão de nossas atitudes no setor da conformidade.

Como reagimos diante do sofrimento e do mal?

Se aceitamos penúria, detestando trabalho, nossa pobreza resulta de compulsório merecimento.

Civilização significa trabalho contínuo contra a barbárie.

Higiene expressa atividade infinitamente repetida contra a imundície.

Nos domínios da alma, todas as conquistas do ser, no rumo da sublimação, pedem harmonia com ação persistente para que se preservem.

Paz pronta ao alarme. Construção do bem com dispositivo de segurança.

Serenidade é constância operosa; esperança é ideal com serviço. Ninguém cultive resignação diante do mal declarado e removível, sob pena de agravá-lo e sofrer-lhe clava mortífera.

Estudemos resignação em Jesus-Cristo. A cruz do Mestre não é um símbolo de apassivamento à frente da astúcia e da crueldade e sim mensagem de resistência contra a mentira e a criminalidade mascaradas de religião, num protesto firme que perdura até hoje.

pelo Espírito André Luiz, Do Livro: Estude e Viva, Médiuns: Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.

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Insatisfação pessoal ? Observemos as lições da vida.

11 02 2014

flor

Decepcionado comigo mesmo, pela minha dificuldade de atenção e memória, estava triste, pois indiretamente o problema afetava a toda minha família pela dificuldade no trabalho. Simplesmente não conseguia atender minhas expectativas.

No dia seguinte contudo, fui convidado a fazer uma caridade levando meu sogro a cortar seus poucos cabelos em uma praia a uma hora de carro. Aceitei de imediato para tentar produzir alguma coisa ocupando meu tempo, afinal dirigir sempre foi um prazer.

Viagem cansativa, quebra molas e aquelas coisas de brasileiro… falta de educação, poeira, buracos,… Contudo ao chegar revigorei minha alma ao respirar aquele oxigênio livre do mundo civilizado. Quanto diferença!

Parei em frente ao “barbeiro” tão especial e fui a uma papelaria que era perto para tentar comprar material para fazer o avião de isopor que já descrevi nesse blog…

Para minha surpresa tinha todos os tipos de isopor, acabei comprando ainda mais algumas coisas. Um bom achado.

Beleza, ao retornar para o carro, ainda tinha duas pessoas na frente aguardando… O “barbeiro” era do tipo perfeccionista! Garoto novo, por minha surpresa ao prestar mais atenção – não passava de uns 20 anos. Pensei comigo mesmo:

_ O que é o dom…. A pessoa no lugar certo e na hora certa fazendo o que gosta se torna imbatível, ao ponto de sair da minha cidade e viajar uma hora para cortar umas pontinhas de cabelo ralo… por palavras próprias…

_ O rapaz é muito bom! Melhor não há! Cortei na cidade com um senhor muito conhecido e não gostei nem um pouco!

Aguardando então, comecei a anotar os poucos acontecimentos a minha volta. Ainda amargurado com meus problemas vi pelo retrovisor do carro um grupo de três amigos, gargalhando, conversando, gesticulando muito, felizes – porém sem um som. Silêncio do vento apenas, mas pareciam produzir uma algazarra! Ao passar ao meu lado vi que praticavam a linguagem dos sinais e riam silenciosamente naquela brisa pura da espuma do mar batendo ao som suave de fundo. Anotei. Se foram…

Duas jovens meninas procurando uma casa, tipo perdidas, passaram, tocaram campainha, errado, sem direção, foram…

Mais uma olhada e passa um senhor de calça jeans clara, sem camisa pedalando uma bicicleta super tranquilo.

Nada de estranho se não estivesse pedalando com uma perna somente. A outra percebi que era postiça – não a possuía o membro…

Que habilidade, adaptação, superação e autoestima….

E as meninas passaram no outro quarteirão na vertical subindo ao mar. Fitei-as por um momento até ao verificar um senhor na faixa de uns 40 anos passar numa cadeira de rodas motorizada como fazendo um bordejo matinal, sozinho, sorrindo, olhando o mar… Imediatamente parei. Que coisa estranha…. A vida quer me dizer algo, é coincidência demais ! Pensei em meu carma da memória e minha amargura contra tudo que estava acontecendo na minha frente ali …. Minha voz dizia:

_ Veja caro Claudinho, são casos bem mais complicados, todos adaptados as suas deficiências e você ai super forte e com reflexos a mil se amargurando!!! Que vergonha! Olhe! Criaram outras habilidades para compensar e estava ali, felizes, tranquilos, motivados e com autoestima alta…

… As mesmas jovens meninas cruzaram minha frente novamente com ar de perdidas desistindo da busca e descendo a rua, partiram.

_ Hmmm os “sadios” parecem perdidos e os deficientes físicos irradiam força, certeza e direção… Que boa lição recebi nesse passeio, pensava até que – pronto – porta do carro aberta, meu sogro feliz pela perfeição do corte, fui embora, mas não sem antes a pedido ainda ter que parar em uma casa, de uma família humilde para dar um biscoito por ele comprado… Ups…Mais outra lição, pensei comigo…

Comecei assim a criar compensações para minha memória – achando um começo: a criatividade…

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Esse texto escrevi em 2008 e achei em meus rascunhos agora.  Dedico esse artigo ao Joaquim Freitas, que se encontra no plano espiritual.  Obrigado pelas lições! Hoje, atuo como Consultor Contábil e ingressei em emprego público em 2012.