Primo Levi e seu testemunho do Holocausto

16 12 2008

Em memória das vítimas do holocausto faço essa divulgação:

Acima um documentário sobre “Holocausto nunca mais” em português.

Segue abaixo a conclusão do meu trabalho de Ciência Política baseado na obra de Primo Levi. É um livro de leitura obrigatória por se tratar de um fato histórico real que todos temos o dever cultural de saber:

(…)

3) Conclusão

O livro “Os Afogados e os Sobreviventes” não é apenas uma boa leitura, mas certamente um documento histórico de grande valor referencial ao holocausto. Percebe-se fatos que nenhum filme ou livro histórico tradicional revela. São reais experiências de um indivíduo que sofreu todos os martírios da vivência do local como um judeu. Recebeu todo o preconceito, toda a ação política destrutiva e ainda conseguiu se libertar dela por meio de obras de grande valor para a humanidade, por esclarecer e registrar fatos que nunca devem ser apagados ou deformados do real acontecimento como mesmo objetiva.

Certamente o autor Primo Levi é um verdadeiro vencedor, sobrevivendo por situações devido a seu conhecimento de químico e não apenas por sorte, mas acima de tudo por ter uma missão de revelar ao mundo tal sociedade infernal para que nunca mais alguém tenha que passar por isso novamente.

“(…) quem briga com o mundo todo reencontra sua dignidade, mas paga-a a um preço altíssimo, porque está seguro de ser derrotado.” (Levi, 1990, p.117).

Com essas palavras de Levi podemos ir muito além dos limites desse trabalho, fazendo lembrar o maior dos filósofos – Jesus – pois já nasceu sabendo que iria ser morto pelos homens por “brigar” com o mundo na tentativa de mudá-lo para o convívio do “amai-vos uns aos outros”. Sua segurança em ser derrotado materialmente era total; contudo tinha também absoluta segurança de que seria vencedor no mundo espiritual, mantendo-se sereno diante dos piores tormentos: “Tenho-vos dito estas coisas, para que em mim tenhais paz. No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.” João 16,33.

E apesar de ser publicamente ateu pelas suas próprias palavras, Primo Levi também venceu o mundo, venceu sua dura prova. Ainda deixa transparecer conhecimento de causas e efeito nas relações humanas afirmando que “não conheço atos humanos que possam cancelar um crime;” e mostrando grande evolução moral com ser humano em “(…);exijo justiça, mas não sou capaz, pessoalmente, de brigar nem de dar o troco.”

Assim, espera-se que a obra de Primo Levi continue divulgando ao mundo a grande tragédia planejada do holocausto e suas relações sociais e políticas para que possam estar criando sempre consciências mais críticas e dialéticas.

Finalizo o presente trabalho com um diálogo do Primo Levi revelando um sentimento de fé inconsciente ao afirmar que algo o protege:

“Deu para perceber, naquele instante e imediatamente, o que todos nós pensávamos e dizíamos dos alemães. O cérebro que dirigia esses olhos azuis, essas mãos bem cuidadas, dizia: “Esse algo que está na minha frente pertence a um gênero que, obviamente, convém eliminar. Neste caso específico, deve-se, antes, examinar se ele não contém ainda algum elemento aproveitável”. Em minha cabeça, como sementes num porongo vazio: “Os olhos azuis e o cabelo louro são, essencialmente maus. Nenhuma possibilidade de comunicação. Sou especialista em Química Mineral. Sou especializado em sínteses orgânicas. Sou especializado..”

E o interrogatório começa. Em seu canto boceja e resmunga Alex, terceiro espécime zoológico.

– Wo sind Sie geboren? (Onde o senhor nasceu?) Ele me trata de Sie, de “senhor”: o Doktor Ingenieur Pannwitz não tem senso de humor. Maldito seja, ele não faz o menor esforço para falar um alemão mais compreensível.

– Eu me formei em Turim em 1941, summa cum laude – e, ao dizer isso, tenho a clara sensação de que ele não vai acreditar. Realmente, nem eu estou acreditando. Basta olhar minhas mãos sujas e lanhadas, minhas calças de prisioneiro, incrustadas de barro. Sou eu, porém, eu, bacharel de Turim, aliás, principalmente neste instante, não há dúvida quanto à minha identificação com ele, já que o reservatório das minhas lembranças de Química Orgânica, apesar de longa inatividade, inesperadamente atende dócil ao pedido. E, ainda, bem reconheço esta lúcida exaltação que me aquece as veias, essa espontânea mobilização de todos os recursos lógicos e de todas as noções, que os companheiros de escola invejam. A prova vai indo bem. Na medida em que dou conta disso, parece-me crescer em tamanho. Agora ele me pergunta qual foi o argumento da minha tese. Devo fazer esforço violento para despertar estas seqüências de lembranças tão profundamente longínquas: é como se procurasse recordar os acontecimentos de uma encarnação anterior.

Algo me protege. Minhas pobres velhas “medidas de constantes dielétricas” interessam particularmente a este loiro ariano de sólida existência; pergunta-me se falo inglês, mostra me o livro de Gattermann – e isso também é absurdo, inverossímil, que aqui, aquém da cerca de arame farpado, existe um livro de Gattermann absolutamente idêntico ao livro no qual estudava na Itália, no quarto ano da faculdade, em minha cada.

– Acabou-se (Levi, 1988, p.108-9).”

4) Referências:

– LEVI, Primo. Os afogados e os sobreviventes. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990

– ____________. É isto um homem? Rio de Janeiro: Rocco, 1988

– WEFFORT, Francisco (org). Clássicos da política. Vol I e II. São Paulo: Ática, 1998.

– WIKIPEDIA, Normas do ABNT para trabalhos de monografia. Disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/Normas_do_Abnt&gt;. Acesso em 10/11/08.

– __________. Adolf Hitler. Disponível em: – <http://pt.wikipedia.org/ wiki/Adolf_hitler>.

-___________.Thomas Hobbes. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/ wiki/Thomas_Hobbes>.

-___________. Nicolau Maquiavel . Disponível em: < http://pt.wikipedia.org/ wiki/Maquiavel>